
Vitor, 35 anos, representante comercial, notava há meses uma mancha de sangue na pia após escovar os dentes. Ele não sentia dor, então assumiu que era “normal”, talvez por ter escovado com muita força. Foi apenas quando sua esposa comentou sobre seu mau hálito persistente que ele decidiu procurar um dentista. O diagnóstico foi direto: gengivite. Em Belo Horizonte, o caso de Vitor é o de milhares de pessoas que ignoram os primeiros sinais de um problema gengival, sem saber que o tratamento é simples, mas a negligência pode levar a consequências graves e irreversíveis.
A gengivite nada mais é do que a inflamação da gengiva. É o primeiro estágio da doença gengival e, felizmente, é completamente reversível quando tratado corretamente. O problema é que, por ser indolor, ela é frequentemente subestimada.
Entender a causa e os sintomas da gengivite é o primeiro passo para dar a ela a importância que merece.
“A causa número um da gengivite é o acúmulo de placa bacteriana na linha da gengiva”, explica a dentista clínica geral Dra. Renata Lemos. “A placa é aquela película pegajosa e incolor cheia de bactérias. Se ela não é removida com uma boa escovação e, principalmente, com o uso diário do fio dental, ela endurece e vira o tártaro. As bactérias ali presentes liberam toxinas que irritam a gengiva, causando a inflamação.”
O sangramento ao escovar ou usar o fio dental é o sinal mais clássico. Mas existem outros: gengivas vermelhas e inchadas (uma gengiva saudável é rosa pálido e firme), sensibilidade ao toque e mau hálito persistente (halitose).
A boa notícia é que curar a gengivite está ao alcance de todos. O tratamento é uma via de mão dupla, com ações no consultório e, fundamentalmente, em casa.
“O tratamento profissional para a gengivite é a profilaxia, a famosa ‘limpeza'”, diz a Dra. Lemos. “Nós removemos completamente a placa bacteriana e o tártaro que já se formou, especialmente entre a gengiva e o dente. É uma limpeza que a escova e o fio dental em casa não conseguem mais fazer depois que o tártaro se instala.”
Após a limpeza profissional, a bola está com o paciente. A cura e a prevenção de uma nova gengivite dependem da remoção diária e eficiente da placa. “Não adianta eu fazer a minha parte aqui se o paciente não usar o fio dental todos os dias e não escovar os dentes corretamente. O fio dental é inegociável”, reforça.
Ignorar a gengivite permite que a inflamação avance para os tecidos de suporte dos dentes, como o osso. “Aí ela se torna periodontite. E na periodontite, a perda óssea é irreversível. O dente começa a amolecer e pode ser perdido. A gengivite é o alarme de incêndio. A periodontite é o prédio pegando fogo”, conclui a dentista.
Vitor saiu do consultório com as gengivas limpas e uma missão. Ele entendeu que o sangramento não era normal, era um pedido de ajuda de sua boca. Um pedido que, felizmente, ele atendeu a tempo.
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