
A dor começou sutil, uma pontada ao tomar café. Em 48 horas, evoluiu para uma dor pulsante e implacável que irradiava pelo rosto de Mateus, 38 anos, analista de sistemas. O diagnóstico no consultório de urgência foi o que ele mais temia: necessidade de tratamento de canal. Além do medo instintivo do procedimento, veio o choque com o orçamento. O preço para um tratamento de canal em BH pode ir de R$ 600 a mais de R$ 2.000. Por que um procedimento em um único dente custa tão caro? E a dor, é inevitável?
Desmistificar o tratamento de canal é entender que ele não é o vilão, mas a única forma de salvar um dente que, de outra forma, estaria condenado à extração. O preço reflete a alta complexidade técnica e a tecnologia necessária para realizar um “microtransplante” dentro do próprio dente.
O valor de um canal não é aleatório. Ele é diretamente proporcional à complexidade anatômica do dente e à tecnologia que o profissional emprega para garantir o sucesso.
“Tratar um canal não é igual para todos os dentes”, explica a Dra. Beatriz Ferraz, endodontista (especialista em canal). “Um dente da frente, um incisivo, geralmente tem um único canal, reto e de fácil acesso. Um dente do fundo, um molar, pode ter três, quatro ou até cinco canais, muitas vezes curvos e de difícil localização. O tempo de trabalho e a quantidade de material para tratar um molar é exponencialmente maior. Por isso ele custa mais caro.”
A endodontia moderna é altamente tecnológica. O uso de um microscópio operatório permite ao especialista enxergar o interior do dente com uma magnificação de até 40 vezes, encontrando canais que seriam invisíveis a olho nu. Localizadores apicais eletrônicos medem o comprimento exato do canal, evitando que a limpeza vá além do necessário. Instrumentos rotatórios de níquel-titânio limpam os canais de forma mais rápida e eficiente. “Toda essa tecnologia aumenta a taxa de sucesso para mais de 95%, mas tem um custo agregado que se reflete no preço”, afirma a Dr.
O medo do canal é, em grande parte, alimentado por histórias antigas, de uma época com anestésicos e técnicas menos eficazes.
O tratamento consiste em remover a polpa (o “nervo”) inflamada ou infectada de dentro dos canais, desinfetar esse espaço minuciosamente e depois preenchê-lo com um material biocompatível. O dente, embora “morto” por dentro, continua funcional, preso ao osso. “É sempre a melhor opção. Perder um dente e colocar um implante é um processo mais longo, mais invasivo e, no fim, mais caro”, conclui.
E a dor? “Com as técnicas de anestesia atuais, o tratamento de canal em si é indolor. O que dói é a inflamação antes do tratamento. O procedimento, na verdade, é o alívio dessa dor.”
Mateus entendeu que o preço do canal não era apenas por um procedimento, mas pelo salvamento de seu dente. Era o valor da tecnologia, da especialização e da chance de resolver sua dor excruciante de forma definitiva e segura.
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