
Seu Otávio, 78 anos, usa a mesma dentadura há quase duas décadas. Ela está frouxa, machuca e o impede de comer uma maçã ou um bom pedaço de carne. O sonho de ter dentes fixos novamente parecia distante, até ele ouvir falar na “prótese protocolo”. A busca pelo preço desse tratamento em BH, no entanto, trouxe um susto: os valores partem de R$ 15.000 e podem facilmente ultrapassar os R$ 40.000 por arcada. O custo é o de um carro novo. A pergunta que fica é: o que justifica um valor tão elevado?
A prótese protocolo sobre implantes é, talvez, o procedimento mais transformador da odontologia moderna para pacientes que perderam todos os dentes. Ela não é apenas uma prótese; é a união de uma cirurgia complexa com uma reabilitação protética de alta precisão. O preço reflete essa dualidade.
Desmembrar o custo de uma prótese protocolo é entender que o paciente está pagando por dois tratamentos de alta complexidade que se unem em um só.
“A fundação de tudo é a cirurgia”, explica a Dra. Clarissa Rocha, cirurgiã-dentista especialista em implantodontia. “Precisamos instalar de 4 a 6 implantes de titânio no osso da mandíbula ou maxila. Isso envolve exames detalhados como a tomografia, um planejamento cirúrgico minucioso e, claro, o custo dos próprios implantes e dos componentes protéticos. A cirurgia por si só já é um procedimento de alto custo.”
Sobre essa fundação de implantes, é parafusada a prótese. E aqui, os materiais fazem o preço variar drasticamente. “Uma protocolo com estrutura metálica e dentes de acrílico tem um custo. Já uma protocolo com estrutura de zircônia e dentes de porcelana individualizados, que é o padrão estético mais alto, pode custar mais que o dobro. A qualidade do laboratório de prótese que confecciona a peça é um fator determinante”, afirma a Dr.
O imediatismo não faz parte desse tratamento. O paciente precisa entender que o processo é longo e exige paciência.
Na maioria dos casos, o paciente sai da cirurgia com uma prótese provisória fixa, parafusada sobre os implantes recém-instalados. Essa “carga imediata” devolve a função e a estética rapidamente, mas é uma fase temporária.
A prótese definitiva só pode ser confeccionada após a osseointegração, o processo de fusão do osso com os implantes, que leva de 4 a 6 meses. Durante esse período, o paciente faz visitas de acompanhamento. “Não se pode apressar a biologia”, reforça a especialista.
Para Seu Otávio, o valor astronômico começou a fazer sentido. Ele não estaria comprando um produto, mas investindo em uma nova fundação para sua boca, um processo cirúrgico e protético que poderia devolver a qualidade de vida que ele havia perdido há décadas. É uma das decisões mais importantes da vida de um paciente, e o peso financeiro reflete o tamanho dessa transformação.
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